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    Recife-PE -
 
 

 A CAMPANHA NACIONAL NÃO BATA, EDUQUE

 

A campanha coordenada pela Rede Não Bata pretende fazer com que a sociedade brasileira pense sobre o castigo físico e humilhante usado como medida para disciplinar as crianças. Nossa intenção é promover uma ampla reflexão sobre o assunto, mobilizar a sociedade em torno do tema e com isso contribuir para pôr fim a essa prática. Para isso a campanha pretende conscientizar a sociedade sobre os direitos das crianças em ter sua dignidade e integridade física respeitadas, o que inclui o direito a uma educação livre dos castigos físicos e humilhantes e com base nas estratégias positivas de educação.

A Campanha Nacional “Não Bata, Eduque!” pretende veicular uma série de materiais de sensibilização e educativos como, por exemplo, vídeos, anúncios, spots de rádio e folders para incentivar os pais e cuidadores a refletir sobre suas atitudes e mostrar as conseqüências que os castigos físicos e humilhantes trazem para as crianças, para a família e para a sociedade.

A campanha começou a ser vinculada a partir de 15 de Junho de 2007 em rádio, TV, jornais e revistas, tendo a apresentadora Xuxa Meneghel como sua porta-voz. Estamos utilizando os principais veículos de comunicação nacional para garantir que a nossa causa chegue ao maior número possível de pessoas.

 

Por que defender o fim dos castigos físicos e humilhantes contra crianças?
Nós da Rede Não Bata, Eduque, e as organizações que nos apóiam, acreditamos que a promoção de relacionamentos mais equitativos entre pais e filhos reduz os comportamentos de violência intrafamiliar contra crianças, sendo o relacionamento pautado pela promoção da participação infantil e da utilização de estratégias positivas de educação. Acreditamos que o castigo físico e humilhante é uma forma de violência contra as crianças.

A imposição de um ponto de vista pela força, pautando a relação de pais e filhos, gerando castigos psicológicos e até mesmo físicos está no cerne da construção de valores da sociedade e é um tema de suma relevância para o debate das soluções em prol da construção da sociedade pacífica tão ambicionada nesta era marcada pelo conflito.

...Castigo físico e humilhante

É uma forma de violência aplicada por uma pessoa adulta com a intenção de disciplinar para corrigir ou modificar uma conduta indesejável. É o uso da força causando dor física ou emocional à criança ou adolescente agredido.

...Estratégias positivas de educação

Formas educativas que não utilizam a violência física e psicológica e que promovem o desenvolvimento físico, emocional e social dos filhos de forma saudável e participativa.

...Participação infantil

É o direito da criança de exprimir suas opiniões livremente sobre todas as matérias que lhe dizem respeito a ela, levando-se devidamente em conta essas opiniões em função da idade e maturidade da criança.

 

Educar os filhos não é uma tarefa fácil. O relacionamento entre pais e filhos é cercado de expectativas, que quando não são satisfeitas acabam gerando frustrações e muitas vezes desentendimentos. As razoes que levam a isso são diversas. Por um lado nem sempre temos condições para dar a nossos filhos o necessário para um crescimento saudável e às vezes esperamos que eles sejam iguais a nós, ou ainda, que eles sejam aquilo que gostaríamos de ter sido e não fomos.

Muitas vezes acreditamos que a melhor forma de educá-los ou conseguir que façam o que achamos melhor para eles é através da rigidez e do uso de castigos físicos ou humilhantes, o que nem sempre funciona e pode ter efeitos nocivos ao pleno desenvolvimento da criança. Muitos pais justificam o uso do castigo físico dizendo que tentaram educar na conversa e não deu certo. Isto pode ocorrer por diversos motivos, mas geralmente ocorre por falta de consistência na aplicação de estratégias educacionais positivas.

Um caminho para isso é a educação baseada no respeito e em estratégias positivas de educação e de promoção da participação infantil na família. No entanto, o aprendizado dos métodos positivos de educação não é rápido e a sua incorporação por toda a família é tanto mais demorada quanto mais tempo tiver sido usado o castigo físico como medida disciplinar. Para que um novo padrão de relacionamento baseado no diálogo e na participação da criança dentro da família seja estabelecido é preciso ter paciência e persistência.

Impor limites com a participação da criança no processo educativo e disciplinar, dialogando, negociando consensos, é um processo demorado e muito mais trabalhoso do que um tapa ou chinelada. No entanto tem efeitos mais positivos e sustentáveis no longo prazo. E o que é mais importante, demonstra o respeito que a criança merece como o ser humano que ela é, igual a cada um de nós!

 

 

ALIMENTANDO O CICLO DA VIOLÊNCIA

O uso do castigo físico infligido a uma pessoa faz parte de um “ciclo” de violência. Entretanto, muitos pais ainda não enxergam dessa forma, pois esta metodologia educativa está fortemente legitimada em nossa sociedade. Os pais que utilizam o tapa, a palmada ou a chinelada para educar o fazem acreditando que estão fazendo o melhor para seus filhos, mas não percebem que, na verdade, estão infringindo o direito que as crianças possuem (assim como qualquer outro ser humano) ao respeito pela sua integridade física e dignidade humana.

Se a violência física contra um adulto não é aceitável socialmente, sendo passível inclusive de sanções legais, porque contra a violência criança deve ser aceita? Os pais não vêem que, ao utilizarem o castigo físico, estão abusando da diferença de poder que existe numa relação entre um adulto e uma criança.

 

O Fundo Social Prof.º Samuel Camêlo é apoia essa iniciativa.

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